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O natal e a família contemporânea: um ensaio sobre a família contemporânea na pós-modernidade

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A Família Contemporânea

 O final do ano é marcado na maior parte do mundo pelas comemorações natalinas. Data que inicialmente tinha o propósito religioso e aos poucos tornou-se um momento relevante da circulação econômica. Mas, qual tipo de economia que o natal faz mover de fato? Somente a capitalista?

O natal movimenta a economia afetiva, o desejo de estar com as pessoas amadas a necessidade do ato solidário. Momento instituído no calendário, simbólico, no qual impulsiona o encontro familiar. As reuniões familiares entre consangüíneos e agregados no transcorrer do ano são freqüentes ou postergadas devido a outros interesses, tal adiamento é o sinal de transformações sociais. Consideramos a correspondência direta entre natal e família, nós ressaltamos como agenciadores da formatação do modelo familiar: a modernidade e a pós-modernidade.

A modernidade foi marcada pela facilidade do sujeito encontrar suas referências, as figuras sócias eram mais robustas, estáveis, o pai era o representante da ordem social, dos interesses do estado, a mãe desempenhava o papel de cuidadora dos filhos e da casa. Uma sociedade ordenada pelo seguinte padrão: homem branco, heterossexual, provedor econômico. Desse modo, as decisões da familia eram da responsabilidade do pai.

A pós-modernidade têm as insígnias da fluidez dos papeis sociais, momento histórico, no qual, ocorre a ruptura de diversos padrões, o casamento deixou de ser indissolúvel. Temos o declínio das imagos de representação tradicionalistas e conservadoras, logo encontramos o declínio da função paterna. O padrão homem, branco, heterossexual e provedor se desestabiliza, perde o seu fator icônico, a sua consistência referencial. A mulher goza de maior circulação no tecido social, entra no mundo do trabalho e luta por direitos iguais aos dos homens. Ela passa a ter a famosa jornada dupla, está inserida no mundo do trabalho e cuida do lar. Na pós-modernidade a constituição familiar tem os acordes da multiplicidade, a família se metamorfoseou, existem vários modelos de estruturas familiares.

Alguns dos novos arranjos familiares:

  • As famílias monoparentais: formadas por uma mãe ou um pai. É quando um único genitor se responsabiliza pela criação e formação do(a\s) filho(a\s).
  • Famílias mosaicos ou recompostas ocorrem após a dissolução da relação conjugal, que culmina num novo casamento. Nessas famílias podemos encontrar filho(a\s) do casal, com o(a\s) filho(a\s) da relação anterior. Surge o papel social do(a) padrasto/madrasta e o do(a) enteado(a).
  • Famílias homoafetivas é a união entre pessoas do mesmo sexo, na qual, foi equiparada pelo Supremo Tribunal Federal com os mesmos direitos da união estável heterossexual.
  • O concubinato é a união de um casal sem a formalização matrimonial, com a possibilidade de ser composta por filho(a\s) e outros parentes. Essa relação pode ou não produzir efeitos legais.
  • As famílias podem ter filhos adotivos, com produção independente, entre outras composições.

Na experiência diária do trabalho com os idosos na Casa dos Velhinhos, percebemos a urgência de repensarmos os vínculos familiares para além do biológico, dos laços consangüíneos. O familiar no discurso dos moradores da instituição apresenta-se nas relações cotidianas com os funcionários, com outros residentes, voluntários e estagiários. A experiência vivenciada nas transferências amorosas atualiza afetos e reafirma cada sujeito no seu potencial intersubjetivo.  Dito isso, consideramos família as pessoas do convívio diário, nas quais, se atribui valor afetivo.

Para finalizar, os arranjos familiares são mutáveis, em constante processo de reinvenção e condicionados pelo momento histórico que fomenta o imaginário social. Os familiares são os nossos, embora, não nos pertençam. Independente do tipo de nossas famílias podemos caminhar para uma sociedade mais solidaria, com maior tolerância e respeito às diferenças.

Boas festas a todas as famílias!!!

Por: Edson Barros de Araujo (psicólogo/psicanalista)